Economia
CVC demite 100 e aprofunda crise na maior operadora de turismo do País
A CVC – companhia de turismo com sede em Santo André – anunciou a demissão de 100 funcionários, que correspondem a 4% do total de colaboradores da empresa, atualmente com 2,5 mil trabalhadores. Os cortes atingiram as áreas de Tecnologia da Informação (TI) e suporte, com a redução do número de terceirizados. A medida faz parte de um processo de restruturação interna, informou a operadora.
Em nota divulgada na quarta-feira, a CVC informou que os desligamentos foram feitos em razão de uma “integração de negócios com as aquisições de empresas”. Ainda segundo a companhia, as dispensas fazem parte de “ajustes pontuais em sua estrutura”.
Apesar de mininizar os cortes, fontes ouvidas pelo Diário destacaram que a onda de demissões poderia ser ainda maior, pois os planos do grupo seriam de fechar quase a metade das lojas próprias. Fora isso, as dispensas devem atingir, em média, 50% das unidades de propriedade da CVC que continuarão em funcionamento.
Ainda de acordo com as mesmas fontes consultadas pela reportagem, a loja da CVC no Shopping Gran Plaza, em Santo André, teria demitido até 60% do seu quadro, inclusive um gerente com 30 anos de casa. O motivo seria por conta de uma previsão ruim do cenário no setor turístico para 2023.
O contexto negativo para o segmento teria sido apontado por um estudo anual da própria CVC sobre o mercado para este ano, liberado internamente na última segunda-feira. A partir daí, os cortes começaram dois dias depois. A empresa, no entanto, negou essa versão e informou que já registrou um aumento nos pedidos de orçamento de pacotes de viagem . Em relação aos demitidos, a companhia tem dado todo o suporte necessário e criou o programa Próximo Embarque, que vai oferecer orientações de carreira para os profissionais se recolocarem brevemente no mercado.
RISCO DE QUEBRAR
s demissões aconteceram após a consultoria Economática ter divulgado em dezembro um estudo que apontou a CVCcomo uma das cinco corporações com ações negociadas na bolsa de valores com maior risco de se tornarem insolventes. Dessa forma, há um risco dessas companhias quebrarem.
Segundo o levantamento, a empresa tem 37% de possibilidade de não dar conta de arcar com os custos de operação. Foram avaliados critérios como valores de capital, ativos, reservas, EBIT (lucro antes de abatidos juros e impostos), patrimônio e passivos. Fontes do mercado estimaram que a CVC possui dívida bruta que atinge R$ 1 bilhão. A companhia destacou ao Diário na ocasião desconhecer os critérios do levantamento da Economática.
NAS REDES SOCIAIS
Nas redes sociais, os demitidos da CVC comentaram a decisão e evitaram críticas. “Uma parte importante da minha vida se desenrolou dentro das paredes do prédio na Sete de Abril (antiga sede), depois no edifício imponente da Barra Funda e, por fim, em Santo André, região que a CVC praticamente dominou nos últimos anos”, relembrou uma ex-funcionária, ao se despedir da empresa em publicação feita na quarta-feira.
Fonte: Diario do grande ABC


